“Eu sempre acabo sozinha.” “Se eu relaxar, tudo desmorona.” “No fundo, tem algo errado comigo.” Frases assim, ditas por dentro, muitas vezes revelam temas emocionais que acompanham a pessoa há anos. Na Terapia do Esquema, esses temas recebem o nome de esquemas. Este guia apresenta os 18 esquemas descritos por Jeffrey Young, organizados em cinco grandes áreas, com exemplos do dia a dia.

Antes de começar, um cuidado importante: este texto não serve para se diagnosticar. Quase todo mundo vai se reconhecer em vários esquemas, em alguma medida. Isso é humano. Na terapia, os esquemas são compreendidos junto com a sua história, e não como rótulos.

O que é um esquema

Um esquema é um padrão emocional amplo, formado por lembranças, emoções, pensamentos e sensações no corpo, que organiza a forma como vemos a nós mesmos, os outros e o mundo. Esquemas costumam se formar quando necessidades emocionais importantes da infância e da adolescência não foram suficientemente atendidas, somadas ao temperamento de cada pessoa.

Eles fizeram sentido em algum momento, como uma forma de entender o que acontecia. O problema é que continuam sendo ativados hoje, em situações que lembram aquelas antigas, e trazem reações mais intensas do que o momento pede. Leia sobre as necessidades emocionais das crianças, que estão na base de tudo.

1. Desconexão e rejeição

Ligado às necessidades de segurança, cuidado, aceitação e pertencimento.

  • Abandono/instabilidade: “as pessoas importantes vão embora”. Leia Medo de ser abandonado.
  • Desconfiança/abuso: “vão me machucar, enganar ou se aproveitar de mim”.
  • Privação emocional: “ninguém vai realmente cuidar de mim ou me entender”. Leia Por que sinto que ninguém cuida de mim de verdade?.
  • Defectividade/vergonha: “se me conhecerem de verdade, vão me rejeitar”.
  • Isolamento social: “sou diferente de todo mundo, não pertenço”.

2. Autonomia e desempenho prejudicados

Ligado à necessidade de se sentir capaz e de ter uma identidade própria.

  • Dependência/incompetência: “não consigo lidar com a vida sem ajuda”.
  • Vulnerabilidade ao dano ou à doença: “algo terrível pode acontecer a qualquer momento”.
  • Emaranhamento/self subdesenvolvido: “não sei quem sou longe da minha mãe” (ou de outra pessoa muito próxima). Leia Emaranhamento.
  • Fracasso: “vou falhar, sou menos capaz que os outros”.

3. Limites prejudicados

Ligado à necessidade de limites realistas e de autocontrole.

  • Arrogo/grandiosidade: “as regras não valem para mim, mereço tratamento especial”.
  • Autocontrole/autodisciplina insuficientes: dificuldade de tolerar frustração e de manter esforço em tarefas chatas. Leia Por que eu procrastino?.

4. Orientação para o outro

Ligado à necessidade de expressar as próprias vontades e emoções.

  • Subjugação: “se eu não ceder, vou ser punida ou abandonada”. Leia Por que eu não consigo dizer não?.
  • Autossacrifício: “as necessidades dos outros vêm antes das minhas”.
  • Busca de aprovação/reconhecimento: “meu valor depende do que os outros pensam”. Leia Viver para agradar.

5. Supervigilância e inibição

Ligado às necessidades de espontaneidade, lazer e leveza.

  • Negativismo/pessimismo: “vai dar errado”. Leia Pensar sempre no pior.
  • Inibição emocional: “mostrar o que sinto é perigoso ou vergonhoso”.
  • Padrões inflexíveis/hipercrítica: “nada que eu faço é bom o bastante”. Leia O crítico interno e Culpa ao descansar.
  • Postura punitiva: “quem erra merece castigo, inclusive eu”.

Três formas de reagir a um esquema

O mesmo esquema pode aparecer de jeitos muito diferentes, conforme a forma de enfrentamento:

  • Resignação: agir como se o esquema fosse verdade. Quem tem defectividade escolhe pessoas que a criticam.
  • Evitação: fugir de situações, pessoas ou emoções que ativam o esquema. Leia Desligar para não sentir.
  • Hipercompensação: agir como se o contrário fosse verdade, de forma rígida. Quem se sente inferior pode parecer arrogante.

Por isso, duas pessoas com o mesmo esquema podem parecer opostas por fora.

Como os esquemas são trabalhados na terapia

Na terapia, a avaliação ajuda a entender quais esquemas são mais ativos, como surgiram e como aparecem hoje. Questionários podem ser usados como apoio, sempre interpretados junto com a sua história, e nunca como resultado isolado. Depois, o trabalho combina técnicas cognitivas, experienciais, como a reescrita de imagens, comportamentais e a própria relação terapêutica.

O objetivo não é apagar os esquemas, mas enfraquecer sua força e fortalecer o lado adulto e saudável, capaz de cuidar das suas necessidades. Saiba mais sobre a Terapia do Esquema.

Fontes e referências

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

International Society of Schema Therapy (ISST) — Schema Therapy

Young, J. E.; Klosko, J. S. Reinventing your life. New York: Plume, 1994.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.