A pessoa demora a responder e o coração dispara. Um tom de voz diferente vira sinal de que algo acabou. Mesmo em relações boas, existe um medo constante de ser deixada. Para quem convive com o medo de abandono, os vínculos são, ao mesmo tempo, o que mais importa e o que mais assusta.
O que é o medo de abandono
Na Terapia do Esquema, o esquema de abandono/instabilidade descreve a sensação de que as pessoas importantes vão embora, morrer, se afastar ou trocar você por alguém melhor. A pessoa pode até saber, racionalmente, que é amada, mas emocionalmente sente que o vínculo é frágil.
Esse medo pode aparecer em relacionamentos amorosos, amizades, família e até no trabalho.
Como ele se forma
Esquemas costumam se formar quando necessidades emocionais importantes, como segurança e estabilidade, não foram suficientemente atendidas. Algumas experiências que podem contribuir:
- perdas na infância, como morte ou saída de um cuidador;
- separações difíceis ou mudanças frequentes;
- cuidadores emocionalmente imprevisíveis ou ausentes, mesmo estando fisicamente presentes;
- ameaças de abandono como forma de disciplina.
Isso não significa culpar a família. Muitas vezes, os adultos fizeram o que conseguiam com os recursos que tinham. Compreender a origem serve para entender o presente, e não para buscar culpados.
Como o medo aparece no dia a dia
- necessidade de confirmação frequente: “você ainda gosta de mim?”;
- ciúme e dificuldade de lidar com a autonomia do outro;
- ansiedade intensa diante de distâncias, viagens ou silêncio;
- tolerar relações ruins por medo de ficar sozinha;
- ou, ao contrário, se afastar antes, para não correr o risco de ser deixada.
O ciclo que mantém o medo
O medo leva a comportamentos de proteção, como cobrar, checar, testar ou se distanciar. Esses comportamentos podem desgastar a relação e, às vezes, provocar o afastamento temido. Quando isso acontece, o esquema parece confirmado: “eu sabia que ia ser deixada”. E o ciclo recomeça na próxima relação.
O que pode ajudar
- Reconhecer quando o esquema é ativado: “estou sentindo o medo antigo, não necessariamente um fato atual”.
- Esperar antes de agir: dar um tempo antes de mandar várias mensagens ou tomar decisões impulsivas.
- Comunicar a necessidade, e não a acusação: “fiquei insegura quando você sumiu, preciso saber se está tudo bem” no lugar de “você não liga para mim”.
- Cuidar de outras fontes de segurança: amizades, atividades, rotina e autocuidado.
- Observar quem está ao seu lado: relações estáveis ajudam a reparar o esquema; relações instáveis o reforçam.
Como a terapia pode ajudar
Na Terapia do Esquema, trabalhamos as raízes desse medo e as necessidades emocionais por trás dele, além de praticar novas formas de agir nas relações. Leia também Por que eu sempre me envolvo com o mesmo tipo de pessoa? e Dependência emocional.
Fontes e referências
Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.
International Society of Schema Therapy (ISST) — Schema Therapy
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.