As pessoas gostam de você, mas, no fundo, você sente que ninguém realmente entende o que se passa por dentro. Você cuida de todo mundo, mas raramente pede ajuda, e quando pede, parece que ninguém percebe. Existe uma sensação de vazio, de falta, que é difícil de explicar. Na Terapia do Esquema, essa experiência tem um nome: esquema de privação emocional.

O que é a privação emocional

É a crença, muitas vezes silenciosa, de que as necessidades emocionais básicas nunca serão atendidas por outras pessoas de forma suficiente. Não se trata de falta de amigos ou de família, mas da sensação de não ser cuidada, compreendida ou protegida.

É um dos esquemas mais comuns e, ao mesmo tempo, um dos mais difíceis de perceber, porque muitas pessoas acham que “é assim mesmo” e que não deveriam esperar mais.

As três formas de privação

  • Privação de cuidado: falta de carinho, atenção, acolhimento e afeto.
  • Privação de empatia: falta de alguém que escute, compreenda e valide o que você sente.
  • Privação de proteção: falta de alguém que oriente, defenda e ofereça segurança.

Uma pessoa pode sentir mais intensamente uma delas, ou as três.

Como aparece no dia a dia

  • dificuldade de pedir ajuda ou de dizer o que precisa;
  • sensação de que os outros nunca percebem quando você não está bem;
  • escolher parceiros ou amigos frios, distantes ou pouco disponíveis;
  • ser sempre a pessoa que cuida, e não a que é cuidada;
  • vazio e solidão mesmo em relações próximas;
  • às vezes, irritação ou cobrança intensa quando a necessidade finalmente transborda.

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De onde vem

A privação emocional costuma se formar em ambientes em que as necessidades emocionais da criança não foram suficientemente vistas. Isso nem sempre envolve maus-tratos evidentes. Pode acontecer em famílias que cuidavam bem das necessidades materiais, mas tinham dificuldade com o afeto, a escuta ou a presença, muitas vezes porque os próprios adultos também não tinham recebido isso.

A criança aprende, então, a não pedir, a se virar sozinha e a esperar pouco. Na vida adulta, essa estratégia continua funcionando como proteção, mas mantém a sensação de falta.

Como começar a cuidar dessa ferida

  • Reconhecer a necessidade: querer cuidado não é fraqueza nem exagero.
  • Arriscar pedir algo pequeno e específico: “você pode me ligar hoje à noite?” é mais fácil de atender do que “ninguém se importa comigo”.
  • Observar quem está disponível: às vezes, há pessoas capazes de cuidar, mas o esquema faz com que você não as procure.
  • Cuidar de si com a gentileza que você oferece aos outros.

Como a terapia ajuda

Na Terapia do Esquema, a relação com a terapeuta é parte importante do cuidado: um espaço em que suas necessidades são vistas e levadas a sério. Técnicas como a reescrita de imagens ajudam a acolher a parte de você que ficou sem cuidado. Conheça os 18 esquemas e saiba mais sobre a Terapia do Esquema.

Fontes e referências

Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.

International Society of Schema Therapy (ISST) — Schema Therapy

Young, J. E.; Klosko, J. S. Reinventing your life. New York: Plume, 1994.

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.