Um término pode virar a vida de cabeça para baixo. Mesmo quando a decisão foi sua, mesmo quando a relação já não ia bem, a dor pode ser enorme. Vem saudade, raiva, culpa, alívio, medo do futuro, e tudo isso pode se misturar no mesmo dia. Se você está passando por isso, saiba que essa dor tem explicação, e que ela não dura para sempre.
Por que dói tanto
Um relacionamento não é só a pessoa. É rotina, planos, amigos em comum, a forma como você se via no futuro. Quando ele acaba, várias perdas acontecem ao mesmo tempo. Por isso, o fim de uma relação pode ser vivido como um luto.
Além disso, vínculos amorosos ativam no cérebro sistemas ligados ao apego e à recompensa. A ausência da pessoa pode gerar uma espécie de “abstinência”: vontade intensa de procurar, de saber como ela está, de voltar.
O que é esperado sentir
- tristeza, choro e saudade, inclusive de coisas que nem eram boas;
- pensamentos repetitivos sobre o que deu errado;
- raiva, sensação de injustiça ou de rejeição;
- alterações no sono e no apetite;
- dificuldade de concentração;
- alívio, às vezes seguido de culpa.
O que costuma ajudar nas primeiras semanas
- Limitar o contato, quando possível. Ver as redes da pessoa o tempo todo costuma manter a ferida aberta.
- Cuidar do básico: sono, alimentação, algum movimento.
- Apoiar-se em quem está perto: amigos e familiares que ouvem sem julgar.
- Reorganizar a rotina: preencher os espaços que a relação ocupava com coisas que fazem bem.
- Escrever sobre o que sente pode ajudar a organizar os pensamentos.
- Evitar decisões impulsivas, como voltar no calor da saudade ou começar outra relação para não sentir a falta.
O que o fim pode ensinar
Com o tempo, depois que a dor mais intensa passa, pode ser útil olhar para a relação com curiosidade: o que eu aprendi sobre o que preciso? Que padrões se repetiram? O que eu quero diferente? Se você percebe que costuma viver relações parecidas, leia Por que eu sempre me envolvo com o mesmo tipo de pessoa?.
Quando buscar ajuda
Procure apoio profissional se a tristeza não diminui com o tempo, se você não consegue retomar a rotina, se a relação envolvia violência, ou se surgem pensamentos de não querer mais viver. Nesse último caso, ligue para o CVV (188) ou, em risco imediato, para o SAMU (192).
O aconselhamento psicológico pode ajudar a atravessar esse momento de transição. Se o término reativou padrões antigos, a Terapia do Esquema pode ajudar a compreendê-los.
Fontes e referências
Stroebe, M.; Schut, H. The dual process model of coping with bereavement. Death Studies, 23(3), 1999.
Young, J. E.; Klosko, J. S.; Weishaar, M. E. Terapia do Esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.
CVV — Centro de Valorização da Vida
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.