Importante: dor ou aperto no peito, falta de ar intensa, dor que se espalha para o braço, mandíbula ou costas, desmaio, suor frio ou confusão podem ser sinais de emergência médica. Nesses casos, ligue imediatamente para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro. Só um profissional de saúde pode descartar causas físicas.

Muitas pessoas descobrem a ansiedade pelo corpo. O coração dispara, o peito aperta, o ar parece não entrar direito, as mãos formigam. É assustador, e o medo de estar tendo um problema grave faz tudo piorar. Este texto explica por que a ansiedade pode causar esses sintomas, mas começa pelo mais importante: primeiro, cuidar da saúde física.

Por que procurar o médico primeiro

Sintomas no peito e na respiração podem ter muitas causas: problemas cardíacos, pulmonares, gastrointestinais, musculares, anemia, alterações da tireoide, entre outras. Atribuir esses sintomas à ansiedade sem avaliação pode atrasar um diagnóstico importante.

Por isso, se é a primeira vez, se os sintomas são diferentes do habitual ou se há dúvida, procure atendimento. Depois que a avaliação médica descartar outras causas, a ansiedade pode ser considerada com mais segurança.

Como a ansiedade mexe com o corpo

Diante de uma ameaça, real ou percebida, o corpo ativa o sistema de alarme: libera adrenalina, acelera o coração, aumenta a respiração e contrai os músculos. É a preparação para lutar ou fugir. Quando isso acontece sem um perigo concreto, as sensações parecem não ter explicação, e a pessoa pode interpretar que está passando mal.

Respirar rápido e curto também pode gerar tontura, formigamento e sensação de falta de ar, mesmo que o corpo esteja recebendo oxigênio suficiente. A tensão nos músculos do peito pode causar aperto e desconforto.

O que é uma crise de ansiedade ou de pânico

Uma crise de pânico é uma onda súbita de medo intenso, com sintomas físicos fortes, que costuma atingir o pico em alguns minutos. Pode incluir coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, tontura, sensação de irrealidade e medo de morrer ou perder o controle.

Apesar de muito assustadora, a crise de pânico tende a passar sozinha. O medo de ter novas crises, porém, pode levar a pessoa a evitar lugares e situações, e é aí que o problema cresce.

O que pode ajudar na hora (depois de descartadas causas físicas)

  • Nomear o que está acontecendo: “isso é uma onda de ansiedade, já senti antes e passou”.
  • Desacelerar a respiração: inspirar pelo nariz contando até 4 e soltar devagar pela boca contando até 6, por alguns minutos.
  • Voltar ao presente pelos sentidos: observar cinco coisas que você vê, quatro que pode tocar, três sons.
  • Não lutar contra as sensações: deixar a onda subir e descer, em vez de tentar controlá-la à força.

Essas estratégias não substituem atendimento médico quando há dúvida. Se os sintomas não melhoram ou são diferentes do habitual, procure ajuda.

Quando buscar acompanhamento psicológico

Se as crises se repetem, se você vive com medo de ter uma nova crise ou se tem evitado lugares e atividades, vale buscar psicoterapia. A TCC é uma das abordagens mais estudadas para o transtorno de pânico e outras formas de ansiedade. Em alguns casos, o cuidado também envolve avaliação psiquiátrica.

Saiba mais sobre psicoterapia para ansiedade e leia também Ansiedade: quando a preocupação começa a ocupar espaço demais.

Fontes e referências

NHS — Chest pain

NHS — Panic disorder

Organização Mundial da Saúde — Anxiety disorders

NICE — Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113)

Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.