Você saiu da consulta com uma palavra nova na cabeça: autismo. Talvez tenha sentido alívio, porque finalmente havia uma explicação. Talvez medo, tristeza, confusão, ou tudo ao mesmo tempo. Talvez já desconfiasse, talvez tenha sido uma surpresa. Seja como for, é natural se perguntar: e agora?
O que você sente também importa
Muitos pais vivem um turbilhão depois do diagnóstico: preocupação com o futuro, culpa, comparação com outras crianças, cansaço, e também amor e vontade de fazer o melhor. Não há um jeito certo de reagir. Esses sentimentos não dizem nada sobre o quanto você ama seu filho.
Dar tempo para processar é parte do caminho. Seu filho é a mesma criança de antes do diagnóstico. O que muda é que, agora, você tem mais informações para entendê-lo.
O que é o autismo
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que envolve diferenças na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento, interesses ou atividades mais restritos ou repetitivos, e muitas vezes diferenças sensoriais.
A palavra espectro é importante: cada pessoa autista é única. Algumas precisam de pouco suporte no dia a dia; outras, de muito. O diagnóstico costuma indicar o nível de suporte, mas não define tudo o que seu filho é ou será.
Primeiros passos
- Entenda o perfil do seu filho: peça à equipe que explique quais são as necessidades e os pontos fortes dele, e não só o diagnóstico.
- Monte a rede de cuidado: conforme a necessidade, pode envolver pediatra ou neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e outros profissionais.
- Prefira intervenções com base em evidências: desconfie de promessas de “cura” ou de resultados garantidos. O autismo não é uma doença a ser curada; o objetivo é apoiar o desenvolvimento, a comunicação, a autonomia e o bem-estar.
- Converse com a escola: a inclusão escolar é um direito, e a parceria entre família e escola faz diferença.
- Conheça os direitos: no Brasil, a Lei nº 12.764/2012 reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo direitos em saúde, educação e outras áreas.
No dia a dia
- observe o que acalma e o que sobrecarrega seu filho, inclusive sons, luzes e texturas;
- rotinas previsíveis e antecipação de mudanças costumam ajudar;
- valorize os interesses dele, que podem ser porta de entrada para aprender e se conectar;
- comunique-se de forma clara e concreta, respeitando o jeito dele de se expressar.
Leia também Necessidades emocionais das crianças.
Irmãos, casal e rede de apoio
O diagnóstico afeta a família inteira. Irmãos podem precisar de atenção e explicações adequadas à idade. O casal pode divergir sobre os caminhos. Grupos de pais, associações e outras famílias que passaram pelo mesmo podem ser uma fonte valiosa de troca e acolhimento.
Cuidar de você também
A rotina de consultas, terapias e adaptações pode ser exaustiva. Cuidar da própria saúde, dividir tarefas e pedir ajuda não é egoísmo: é o que permite continuar presente por muito tempo. Leia Esgotamento de quem cuida.
A orientação parental é um espaço para os pais organizarem as emoções, entenderem as necessidades do filho e construírem estratégias para o dia a dia, em parceria com a equipe que acompanha a criança.
Fontes e referências
Organização Mundial da Saúde — Autism
NICE — Autism spectrum disorder in under 19s: recognition, referral and diagnosis (CG128)
Brasil. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 — Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2023.
Conteúdo educativo, preparado com base nas referências acima. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.